Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
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CPMI do Cachoeira lista governadores e dono da Veja para explicar ligações com crime organizado
13/4/2012 14:21, Por Redação - do
Rio de Janeiro e Brasília
Os governadores
de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e o dono da revista semanal de ultradireita
Veja, Roberto Civita, além do senador Demóstenes Torres – que figura em
primeiro lugar na lista dos convocados para a Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) do Cachoeira – deverão ser ouvidos no Congresso sobre as
ligações que manteriam com o crime organizado no país. Segundo o deputado
Fernando Ferro (PT/PE), Civita deverá ser convocado para explicar os cerca de
200 telefonemas trocados entre o redator-chefe da revista em Brasília, Policarpo
Júnior, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A CPI também deverá investigar
os engavetamentos de investigações pelo Procurador-Geral da República, Roberto
Gurgel, e as relações entre Demóstenes Torres e o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Gilmar Mendes.
Nas duas últimas
semanas, o noticiário da revista tenta tergiversar com uma tentativa de trazer à
pauta o noticiário do julgamento, no STF, que tende a inocentar vários dos
acusados de integrar um possível sistema organizado de corrupção na Câmara e no
Senado. A CPI também terá a oportunidade de verificar o que há por trás das
denúncias que os veículos da mídia conservadora estabeleceram como “mensalão”,
após a PF descobrir que haviam interesses nada republicanos, e sim, ao que tudo
indica, de organizações criminosas com interesses escusos contrariados na série
de denúncias que culminou, ainda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, na queda do ministro-chefe da Casa Civil, José
Dirceu.
Nos grampos
efetuados pela PF e vazados para a imprensa, aparecem telefonemas de Cachoeira
para Policarpo Júnior que levantam suspeitas de que o bicheiro encomendava
matérias de seu interesse para lhe favorecer nos negócios ou prejudicar seus
inimigos. Dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish também está na lista dos
possíveis convocados para depor na CPMI do Cachoeira. Ele é amigo pessoal dos
governadores Marconi Perillo (Goiás) e Sérgio Cabral Filho (Rio de Janeiro),
responsáveis pela liberação de recursos milionários para obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) em seus Estados.
Na véspera, a
ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reafirmou a intenção do governo de
investigar todas as denúncias que envolvem a Delta Construções, maior
empreiteira do PAC e corrigir eventuais irregularidades. A empreiteira, com
acesso franqueado aos governos estaduais do Rio de Janeiro e de Goiás, é citada
na Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Cachoeira. O diretor
regional de Brasília e Goiás, Cláudio Abreu, é apontado como integrante do
esquema de Carlinhos Cachoeira.
– Isso vai ser
investigado. De qualquer maneira, qualquer irregularidade terá de ser corrigida,
como a gente sempre faz cada vez que elas são identificadas – disse a
ministra.
A Delta
Construções recebeu do governo de Marconi Perillo, entre janeiro de 2011 a março
deste ano, R$ 151,5 milhões em contratos licitados, segundo informações do site
ComprasNet, da Secretaria estadual de Gestão e Planejamento, e do
Transparência Goiás. Em 2010, por sua vez, na gestão do então
governador Alcides Rodrigues, a administração estadual pagou à Delta cerca de R$
46,7 milhões em serviços de custeio para manutenção de atividades de instâncias
de governo. O chega a ser oito vezes maior do que em 2009, quando a empresa
recebeu apenas R$ 5,5 milhões.
Dos contratos
realizados nos últimos 13 meses entre a Delta e o governo de Goiás, 11 deles
foram com a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), principalmente para
a execução de obras realizadas em rodovias. Dois outros convênios foram
relacionados à secretaria estadual de Segurança Pública (SSP), referentes à
locação de automóveis e a obras. No Estado do Rio, a empreiteira recebeu, em
2001, R$ 47 milhões, em 2002, R$ 61,8 milhões, em 2003, R$ 15,1 milhões, em
2004, R$ 76,1 milhões, em 2005, R$ 142,8 milhões, em 2006, R$ 163,9 milhões, em
2007, R$ 67,2 milhões, em 2008, R$ 126,8 milhões, em 2009, R$ 243,4 milhões, em
2010, R$ 554,8 milhões, em 2011, R$ 358,5 milhões e, até agora em 2012, R$ 138,4
milhões.
Na Prefeitura do
Rio, a Delta também conseguiu fechar contratos milionários, entre 2008 e 2011,
no total de R$ 420,2 milhões. Deste total, R$ 186,7 milhões na gestão do atual
prefeito, Eduardo Paes (PMDB), em contratos com obras de urbanização e na
locação de veículos e equipamentos de limpeza urbana. O último deles, fechado em
agosto do ano passado, refere-se à implantação do Parque de Madureira, estimado
em R$ 71 milhões. O restante foi pago à Delta Engenharia na administração do
ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que também deverá ser chamado a depor na CPMI do
Cachoeira.
A Delta também
foi acusada de praticar preços escorchantes na construção da nova sede do
Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no antigo prédio do
Jornal do Brasil, do qual foi diretor o atual secretário de Saúde do governo
Cabral, Sérgio Côrtes. Em agosto do ano passado, a Controladoria Geral da União
(CGU) recomendou à direção do Into que exija da empreiteira a imediata
“devolução dos valores pagos com sobrepreço e dos serviços executados em
duplicidade”. Segundo denúncia do site Consultor Jurídico, o relatório da CGU
encontrou um sobrepreço estimado em R$ 23,5 milhões no custo da segunda etapa da
construção do hospital.
Composição
A
Secretaria-Geral da Mesa do Senado entregou, na noite passada, ao presidente da
Casa e do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP), o levantamento sobre como
ficará a composição da CPMI do Cachoeira. As indicações dos membros que irão
compor a parte do Senado na CPMI serão divididas de acordo com os blocos
formados pelos diversos partidos políticos, segundo as informações da
Secretaria-Geral da Mesa. Dessa forma, caberão ao bloco de apoio ao governo –
que inclui PT, PCdoB, PSB, PDT e PRB – cinco indicações de membros titulares. Ao
bloco da maioria – composto exclusivamente pelo PMDB – caberão mais cinco
indicações de membros. Ao bloco da minoria, formado no Senado por PSDB e DEM,
serão destinadas três vagas. O novo bloco União e Força, formado por PR, PSC e
PTB, terá direito a duas vagas.
Com essa divisão
serão preenchidas as 15 vagas do Senado na comissão mista. Além delas, de acordo
com a secretaria, haverá uma vaga extra para garantir espaço aos partidos que
não fazem parte de blocos e, portanto, não alcançam o critério da
proporcionalidade. Nesse caso, essa vaga deverá ser dividida entre PSOL, PP, PV
e PSD. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já adiantou que o
partido fará indicações internas para todas as vagas a que terá direito e não
pretende ceder para outras legendas.
– Somos 21
senadores. Se tivemos 15 membros (do Senado na CPMI), o PMDB irá indicar cinco
membros. Não teremos dificuldade porque a bancada é grande – declarou Renan após
reunião com o presidente Sarney e o líder do governo na Casa, Eduardo Braga
(PMDB-AM).
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